Você deixaria sua filha se casar com Robert Mitchum?

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Protótipo do anti-herói hollywoodiano da década de 1940, Robert Mitchum teve uma vida tão ou mais conturbada que muitos de seus personagens. Preso aos 14 anos por vadiagem e aos 31 por posse de maconha – isso em 1948, quando já colecionava duas dezenas de filmes e uma indicação ao Oscar por Também somos seres humanos (1945) –, Mitchum foi de tudo um pouco antes de se tornar o cafajeste favorito do cinema noir: de estivador a ghostwriter de astrólogo, de operador de máquinas a boxeador.

Filho de ferroviário com uma imigrante norueguesa, Mitchum perdeu o pai aos dois anos e, aos 12, já um garoto problemático, foi mandado para a casa dos avós, em Delaware. Fugiu pouco depois e passou a viajar sozinho, de trem, pelos Estados Unidos, vivendo de pequenos empregos. Aos 14 foi preso por se meter em uma briga de gangues na Geórgia, mas conseguiu fugir mesmo ferido. Mal havia se recuperado, quando pegou um trem acompanhado da irmã para a Califórnia.

O contato com o cinema foi por acaso. Ele havia ficado cego temporariamente, em 1942, por causa do estressante trabalho de operador de maquinas, quando decidiu procurar bicos como figurante em faroestes e filmes de baixo orçamento. Trabalhou para os estúdios RKO e United Artists e, em 1945, conseguiu sua única indicação ao Oscar, como ator coadjuvante por Também somos seres humanos, de William Wellman.

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Até a morte, em 1997, de câncer no pulmão, atuou em 110 filmes. Trabalhou com grandes diretores – Otto Preminger, John Huston, Robert Siodmack, Edward Dmytryk, Raoul Walsh, Howard Hawks, entre outros –, e tem um currículo invejável de pares românticos com Teresa Wright, em Sua única Saída (1947); Jane Russell em Seu tipo de mulher (1951); Marilyn Monroe, em O Rio das Almas Perdidas (1952); Rita Hayworth, em Lábios de Fogo (1957); embora na vida real tenha vivido de 1940 até a morte ao lado de Dorothy Spence, amiga de adolescência e única esposa.

Os olhos de ressaca e desprezo, o jeito truculento, a voz grave e o humor cínico e sarcástico fizeram de Mitchum o anti-herói predileto do cinema hollywoodiano dos anos 1940, que passava por uma crise do modelo bandido-mocinho por causa das desilusões da Segunda Guerra. (Mais tarde, os críticos franceses chamariam estas produções de “filme noir”). Ao lado de femme fatales como Jane Greer, Jean Simmons e a própria Jane Russell, Mitchum atuou em clássicos-chaves do gênero, como Fuga do Passado (1947), Cais da Maldição (1948), Alma em Pânico (1948) e Macau (1951).

Mitchum, claro, foi muito além desse estereótipo. Deu vida ao pastor psicótico de O Mensageiro do Diabo (1951), ao obsessivo presidiário de Círculo do Medo (1957 e voltaria a atuar no remake feito por Martin Scorsese, Cabo do Medo, em 1991), além de dezenas de western na década de 1960, como Eldorado (1967), com John Wayne, dirigido por Hawks. Pouco antes de morrer, em uma entrevista a BBC, um apresentador começou a enumerar seus talentos. Mitchum, com modéstia e uma boa dose de ironia, o interrompeu abruptamente: “Olha, eu tenho duas formas de atuar: uma em cima do cavalo e outra sem o cavalo.”

OITO FILMES ESSENCIAIS

FUGA DO PASSADO
(Out of the past, dir. Jacques Tourneur, 1947)

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CÍRCULO DO MEDO
(Cape Fear, dir. J. Lee Thompson, 1962)

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MEMSAGEIRO DO DIABO
(The night of the Hunter, Charles Laughton, 1955)

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RANCOR
(Crossfire, dir. Edward Dmytryk, 1947)

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SUA ÚNICA SAÍDA
(Pursued, dir. Raoul Walsh, 1947)

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ALMA EM PÂNICO
(Angel face, dir. Otto Preminger, 1952)

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O CÉU POR TESTEMUNHA
(Heaven know Mr. Allison, dir. John Huston, 1957)

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ELDORADO
(El Dorado, dir. Howard Hawks, 1967) 

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