10 filmes essencias da Nouvelle Vague

A Nouvelle Vague foi um fenômeno que surgiu no fim dos Anos 1950, liderado sobretudo por críticos de cinema da revista Cahiers du Cinema, que defendiam o cinema autoral e o rompimento com as técnicas vigentes de produção. O que começou como um rótulo criado pelo semanário L’Express — muitas vezes até usado de forma pejorativa para designar filmes jovens, feitos às pressas e com pouco orçamento –, se tornou um dos movimentos mais revolucionários e inventivos da história do cinema.

O CINECLUBE separou 10 filmes que ajudam a entender um pouco mais a Nouvelle Vague. É claro que é impossível delimitar um movimento tão influente em tão poucas películas. Mas tentamos separar os diretores fundamentais e suas características principais: Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Chabrol, Eric Rohmer e Jacques Rivette, todos críticos e funcionários da Cahiers; e outros autores que contribuíram com novos valores estéticos e formais, como Agnès Varda, Alain Resnais e Louis Malle. Também elencamos alguns conceitos que caracterizam tais filmes como fundamentais para o movimento.

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NAS GARRAS DO VÍCIO
(Le Beau Serge, dir. Claude Chabrol, 1958)

NAS GARRAS DO VICIO

Sinopse: Tuberculoso, François (Jean-Claude Brialy) volta à sua cidade natal depois de 12 anos. A vila não mudou, ao contrário de seus amigos de infância.

Por que ver? Embora não apresente nenhuma novidade estética, é considerado o primeiro filme da Nouvelle Vague, já que o sucesso de Chabrol, também crítico da Cahiers du Cinema, abriu as portas para seus colegas Godard, Truffaut e Rivette, que lançariam seus filmes pouco depois.

O SIGNO DO LEÃO
(Le signe du lion, dir. Erich Rohmer, 1959)

Le sign du lion

Sinopse: O filme narra a tragicômica jornada de Pierre Wesselrin, um músico vagabundo que recebe a notícia do falecimento de uma tia e passa a gastar por conta. Porém, em seguida, fica sabendo que foi deserdado.

Por que ver? Rohmer é conhecido pelo minimalismo, os diálogos longos, o apego à psicologia de seus personagens e a temas como infidelidade e solidão. Mas seu filme de estreia surpreende pela crítica social, acidez e pela montagem cheia de travellings e cortes rápidos.

HIROSHIMA, MEU AMOR
(Hiroshima, mon amour, dir. Alains Resnais, 1959)

Hiroshima, mon amour

Sinopse: Uma atriz francesa (Emmanuelle Riva) está no último dia de filmagens em Hiroshima e prestes a encerrar seu relacionamento com um amante japonês, que a faz lembrar de amores passados

Por que ver? Documentarista, Resnais é o diretor da memória. O seu primeiro filme de ficção, que tem roteiro da escritora Marguerite Duras, é uma análise profunda do comportamento, psicologia e memória de seus personagens.

ACOSSADO
(À bout de souffle, dir. Jean-Luc Godard, 1960)

ACOSSADO

Sinopse: Michel (Belmondo) rouba um carro, mata um policial e vai ao encontro de Patrícia (Jean Seberg), a quem tenta convencer de fugir para a Itália.

Por que ver? Primeiro longa de Godard, é o filme mais emblemático do movimento e que sintetiza melhor os elementos da Nouvelle Vague: o abandono do sistema de estúdio, o ar de improviso do roteiro e interpretações, a direção autoral, as referências ao cinema, orçamento baixo, tempo curto de produção (quatro semanas), a conversa dos atores com o espectador e os cortes bruscos. Além disso, apresenta elementos de filmes americanos que o cinéfilo Godard idolatrava, como armas, gângsteres e perseguições de carro.

OS INCOMPREENDIDOS
(Les 400 coups, dir. François Truffaut, 1959)

Les 400 coups

Sinopse: Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) é um garoto de 14 anos que se rebela contra o autoritarismo da escola e desprezo de sua mãe e padrasto. Passa a frequentar cinema e, com o tempo, vai fazendo novas descobertas.

Por que ver? Primeiro filme Truffaut reflete o cinema personalista que ele defendia como crítico. Doinel, que vai aparecer em outros filmes ao longo da década, é a versão ficcionalizada do próprio Truffaut. A câmera (a caneta do auteur) acompanha os impulsos e as agonias existenciais (sentimentos-chaves da Nouvelle Vague) de seu protagonista.

ZAZIE NO METRÔ
(Zazie dan le métro, dir. Louis Malle, 1960)

ZAZIE NO METRÔ

Sinopse: Zazie, uma garota do interior que visita Paris por dois dias, tem o sonho de andar de metrô, mas uma greve dos metroviários frustra seus planos.

Por que ver? Em 1960, Malle já havia dirigido filmes densos como o noir Ascensor para o Cadafalso. Zazie é uma comédia leve e divertida, sem deixar de ser uma sátira absurda da vida parisiense.

PARIS NOS PERTENCE
(Paris nous appartient, dir. Jacques Rivette, 1961)

PARIS NOS PERTENCE

Sinopse: Anne Goupil (Betty Schneider) é estudante de literatura que ensaia uma peça de Shakespeare. Em uma festa, conhece um diretor norte-americano e um casal misterioso, que a envolve em uma trama política.

Porque ver? Último dos críticos da Cahiers a lançar um filme, Rivette apresentou um longa misterioso, enigmático e cheio de teorias conspiratórias. Ao contrário dos cortes abruptos e velocidade de outros diretores, Rivette aposta em longos silêncios e trama arrastada em mais de duas horas de filme.

BANDA À PARTE
(Bande à part, dir. Jean-Luc Godard, 1962)

Sinopse: Odile é seduzida por dois ladrões, que ficam sabendo da fortuna de uma tia da garota. Eles tramam roubar seus bens mas, para isso, precisam que Odile se apaixone por um dos dois.

Por que ver? Um dos sete filmes de Godard protagonizado por Anna Karina, sua esposa, e o rosto feminino mais famoso da Nouvelle Vague. Juntos, trabalharam em clássicos como Uma mulher é uma mulher (1961), O demônio das Onze horas, Alphaville (1965) e Made in U.S.A (1966).

JULES E JIM – UMA MULHER PARA DOIS
(Jules et Jim, dir. François Truffaut, 1962)

Jules et Jim

Sinopse: O filme é sobre a amizade de dois homens, Jules e Jim (Oskar Werner e Henri Serre), e o amor de ambos pela mesma mulher, Catherine (Jeanne Moreau).

Por que ver? A narração em off (influência do cinema americano dos anos 1940) guia o terceiro filme de Truffaut. É uma trama mais adulta, profunda e existencial. Presença obrigatória na lista de qualquer cinéfilo.

CLEO DAS 5 ÀS 7
(Cléo de 5 à 7, dir. Agnès Varda, 1962)

Cléo de 5 à 7

Sinopse: Cléo está à espera de um resultado de biópsia, que dirá se ela tem câncer ou não. O filme se passa durante esse período, mostrando as agonias e pensamentos de Cléo.

Por que ver? A casualidade da narrativa faz o filme se confundir entre ficção e documentário: enquanto Cléo vaga por Paris, ela se depara com as tensões sócio-políticas do momento. Do ponto de vista cinematográfico, tem várias homenagens à sétima arte, com anedotas e cenas de cinema mudo  (como a participação de Godard e Anna Karina).

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Comentários
One comment on “10 filmes essencias da Nouvelle Vague
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